Serenidade não nasce em árvores ocas.
Vovó Maria Conga
Médium Pai Norberto Peixoto
Dirigente da Choupana do Caboclo Pery
(terreiro filiado ao CECP)
"Filho meu, àqueles que não se encontraram com a serenidade são que nem árvores ocas na floresta, vistosos nos galhos e folhagens mas com grande sofrimento interior. Com a mais breve ventania da vida podem rachar no meio". Vovó Maria Conga
Todo homem sábio irremediavelmente é sereno. Observem quantos são de grande conhecimento intelectual e são extremamente ansiosos. Conhecimento em si não é passaporte para a sabedoria, mas sim como ele é usado. A boa semente no solo fofo se destituído do jardineiro fiel perecerá na aridez dos descompassos climáticos.
A serenidade é alcançada com árduo esforço pessoal e gradativamente, qual formiga que trabalha no verão causticante.
Desafios diários superados; irritação contida, distúrbios emocionais desfeitos, vontade bem dirigida submetendo os desejos à razão, maus hábitos bloqueados pelo poder do "não quero", ambição desmedida controlada, são alguns exemplos de esforços no dia-a-dia do ser em busca da aquisição de serenidade.
Aquele que já se encontrou consigo e escalou as montanhas do egoísmo do seu eu interior, sabe exatamente o que quer da vida, tendo a vontade livre para impor o seu ideal e se diferenciar numa sociedade automatizada que sofre da síndrome de exteriorização coletiva: todos iguais à produtos pasteurizados de uma fábrica, onde se impõe o império das aparências externas, tal embalagens chamativas em vitrines vistosas.
São hostes de "escravos", não mais das senzalas pela subjugação da mão-de-obra, mas deles mesmos pela fraqueza mental diante da mídia, das telenovelas, das modas urbanas e dos maneirismos condicionantes para serem aceitos em grupos que se unem pelo interesse do momento, nos centros de compras, praças de alimentação, festas, bares e nos encontros sociais perfumados e fugazes, movidos a quitutes saborosos e drinques etílicos inebriantes das ansiedades diárias.
A consciência serena se dá com aqueles que já subjugaram a vontade inferior que jazia sepultada pelos desejos mundanos.
Consciente e serenado é o ser que sabe que ultrapassou as provas dentro de si mesmo em favor do semelhante, anulando seu ego e deslocando do centro para a periferia do seu Eu sua área de interesse pela vida em coletividade.
A serenidade harmoniza, exteriorizando-se do interior do ser, agradavelmente e com mansidão para os circunstantes periféricos em seu raio de magnetismo pessoal e não se influencia por apelos de consumo. Inspira a confiança sem medo de traição, acalma as mentes agitadas e oferece afeição e amor.
O homem elevado e sereno já venceu grande parte da luta contra as ilusórias paixões materiais que arrebatam os instintos e exaurem as capacidades sensórias do cidadão comum em busca dos prazeres fugazes, embotando-o para as percepções duradouras da verdadeira e perene realidade do espírito imortal.
Vovó Maria Conga
Uma Preta Velha "metida" a psicóloga das almas
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