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Ação das Obsessões e o Combate que Exigem |
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As
obsessões fazem você: Ver dragões onde há minhocas; Impacientar-se a troco de nada; Interpretar com malícia as intenções alheias; Ficar a todo tempo tenso, como se houvesse perigos em toda parte, e qualquer um fosse atacá-lo a qualquer momento (impulso paranóico); Desejar fora de hora ou medida ou de alvo; Ter surtos de raiva, inveja, posse ou poder em relação a pessoas, acontecimentos e posições sociais ou propriedades materiais; Sentir pena de si, colocar-se como vítima ou ao contrário: com culpa por tudo e condenado inapelavelmente; Ter medo, além do razoavelmente esperado, e sentir-se continuamente ameaçado, pela velhice ou pela doença, pela crítica ou pela pobreza, pela injustiça ou pela ingratidão dos outros; Sentir-se caso perdido, sem esperanças ou meio de resgate e salvação, sem acreditar em si mesmo, em Deus ou em ninguém, impelindo-o a render-se, por fim, à total desesperação.
Claro que há momentos em que o perigo e a traição são reais, em que o
ataque de fato acontece e em que o impulso de agir imediatamente está
certo e oportuno. Falo, porém, do estado de estresse, angústia, medo e
desconfiança sistemáticos, que confundem a psique, infelicitam-na,
atrapalham as percepções e avaliações que se façam de eventos e pessoas e
que por fim levam a alma a um estado de negatividade e de mesquinharia que
acaba por se instalar no comportamento do indivíduo, com variantes
concorde a personalidade do envolvido pelos tentáculos do mal. Para imunizar-se deste assalto constante das forças constituídas do mal, lembre-se de que o mundo em que está encarnado é bastante rico de expressões contrárias ao impulso do bem, como de patógenos com relação à vida orgânica complexa, multicelular, e que somente com um sistema psico-espiritual de defesa eficiente é possível proteger-se das constantes tentativas de invasão e controle por parte dos “inimigos espirituais”, da mesma forma que um sistema imunológico é imprescindível ao corpo físico, para sua defesa.
Importante ainda distinguir invasão de controle. Sempre há elementos
destrutivos pervagando a mente saudável e sob auto-domínio, apesar de tais
agentes não determinarem seu comportamento, nem lhe dominarem seus fluxos
de raciocínio e emoção. É o mesmo que acontece com a enormidade de
microorganismos potencialmente fatais, que pululam na corrente sangüínea,
no aparelho digestivo e na pele de seres humanos e animais, nem sempre
causando enfermidades, pelo contínuo combate levado a efeito pelo sistema
imunológico. |
E o que seria o sistema de defesa psico-espiritual, espécie de sistema imunológico psicológico-moral? Um conjunto de reações condicionadas altamente lúcidas e espirituais, com aspectos intelectivos e emocionais, em perfeita comunhão com a fé, que canaliza para o indivíduo o socorro de inteligências mais avançadas e bondosas, representantes de Deus, no intuito de vencer no embate com os agentes da desagregação e da decadência. Oração, auto-disciplina, estudo constante, auto-crítica, um consolidado sentido de responsabilidade por tudo que acontece consigo ou em torno de si, generosidade, devoção, paz – tudo isto em regímen de esforço permanente, esforço paradoxalmente sereno (para que não haja pane, colapso, em uma psique sobrecarregada), como uma fortaleza que se erigisse dia a dia, portas a dentro de si mesmo, assim como o sistema imunológico que se fortalece, em contato com agentes nocivos, como se dá com criancinhas que andam de pés descalços ou profissionais da saúde que trabalham horas por dia em ambientes infectados sem contrair enfermidades graves, freqüentemente, como seria de se esperar.
Assim, em vez de mal-dizer as obsessões, entenda que constituem seu maior
auxiliar evolutivo; e que, através da relação ativa que desenvolva com
elas, no sentido de ininterruptamente processá-las, empenhando-se, quanto
possível, em não se render às suas sugestões, estará não só fortalecendo,
amadurecendo e enobrecendo seu caráter e sua personalidade, como ainda
gerando meios e poder de auxiliar seus entes queridos e todos que puderem
usufruir de sua influência pessoal. |
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