
Os
Lobos
Estão Soltos
História contada por Vovó Benta
Por Mãe Leni W. Saviscki
Dirigente do
Templo de Umbanda Vozes de Aruanda
Erechim - RS
(Terreiro Filiado ao Centro Espiritualista Caboclo Pery -
CECP)
Camboninho, senta
aqui
nos
pés
da
preta
velha.
Vem
emprestar
seus
ouvidos,
pois
este
espírito
que
habita o
mundo
dos
mortos,
está precisando
falar
o
que
vem sentindo
em
seu
velho
e
insistente
coração.
-
Salve
minha
boa
mãe
preta.
Aqui
estou
para
aprender
com
vossa
sabedoria.
-
Meu
menino...
preta
velha
tem
feito
sua
gira
pelos
terreiros
dessas
terras
do
Cruzeiro
e
entre
risos
de
alegria
por
ver
que
a
caridade
se expande, contrariando as
dificuldades
deste
mundo
materialista, algumas
lágrimas
de
dor
tem
caído
deste
rosto
enrugado
pelo
tempo.
-
Posso
saber
porque
chora,
minha
mãe?
-
Negra
velha
já
deveria
estar
acostumada
com
as
agulhadas
dos
espinhos
e
com
os laçassos do
chicote...e
até
suporta
isso
quando
a
dor
vem
para
o
próprio
corpo,
mas
se ressente e sofre
quando
isso
se dá no
coração
dos
filhos
de
fé.
-
Camboninho, tenho
visto
tanta
discórdia
tomar
conta
das fileiras da
caridade,
apagando as tochinhas da
fé
daqueles
que
não
a tem
bem
fortalecida. A
muito
tempo
do
vosso
calendário,
desceu dos
céus
e
veio
habitar
entre
vós
um
grande
Mestre,
filho
do Altíssimo e
por
aqui
deixou muitas
mensagens
e
dentre
elas,
ensinou
aquilo
que
seus
discípulos
expandiram
através
das
escrituras
sagradas: - "A
caridade
é
paciente;
é
doce
e
benfazeja;
a
caridade
não
é
invejosa;
não
é
temerária
e precipitada;
não
se enche de
orgulho;
não
é desdenhosa;
não
procura
seus
próprios
interesses;
não
se melindra e
não
se irrita
com
nada;
não
suspeita
mal,
não
se
regozija
com
a
injustiça,
mas
se
regozija
com
a
verdade;
tudo
suporta,
tudo
crê,
tudo
espera,
tudo
sofre."
E falou
também
que
haveria
um
tempo
em
que
se abririam as
portas
por
onde
seriam soltos os
lobos
e
para
tanto,
as
ovelhas
deveriam
estar
atentas
para
que
não
fossem apanhadas de
surpresa.
E
esse
tempo
chegou,
meu
menino.
Os
lobos
estão
famintos
e
nem
todos
os
cordeiros
fortalecidos
suficientemente
para
poder
fugir
do
assalto
das
feras.
Por
todo
o
tempo
ignoraram
que
era
preciso
mais
que
se
dizer
"filho
do
Pai",
e
sim
que
precisavam se
fazer
dignos
deste
Pai,
honrando-o e a
seus
mandamentos.
As
leis
existem
para
serem cumpridas e a
partir
do
momento
em
que
uma delas
passa
a
não
ser
observada, abre-se
preceito
para
que
as outras percam
seu
valor.
Preciosa
moeda,
de
valor
incalculável
é
pois,
a
caridade.
Mas,
como
toda
moeda
pode
ser
falsificada e
assim
o é,
quando
não
possui o
brilho
do
desprendimento
e do
amor.
Ela
também
deve
ser
pautada nas
leis
que
regem a
humanidade
e há
que
se
ter
discernimento
para
que
não
se joguem
pérolas
aos
porcos.
Os
famintos
lobos,
vorazes
e vindos de
um
mundo
sem
lei,
desrespeitam o
livre
arbítrio
das
ovelhas
e no
menor
indício
de
desatenção,
eles
pulam
sobre
a
presa
e devoram
seu
coração.
É dele
que
se alimentam e a
partir
de
então,
as
ovelhas,
quais
zumbis,
perambulam comandadas
por
falsas
leis
gerando falsas
idéias.
E
aquilo
que
até
então
se fazia
valer
dentro
do
rebanho,
perde o
sentido
e os
valores
reais,
e o
pior
de
tudo
meu
menino:
-
perder
o
coração
pode
ser
contagioso!
Vejo
com
o
coração
doído,
meu
menino,
esses
lobos
atacarem
ferozmente
os
rebanhos
do
Mestre.
Ovelhas
escolhidas
para
sustentar
esse
final
de
ciclo
terreno
que
venceram as
tentações
da
matéria
e do
desregramento
sexual,
as duas
fatais
jogadas
das
trevas
sobre
os
homens
até
então,
mas
que
agora
sucumbem
por
deixarem se
confundir
nos
reais
valores
da
caridade
e da
fé.
E
como
um
vendaval,
entram soprando as
tochas
acesas, tentando
escurecer
nosso
mundo
e
apagar
a
luz.
E ai daqueles
que
sucumbirem! Ai daqueles
que
testados
até
então
e
ainda
vitoriosos,
não
conservarem neste
último
e
derradeiro
instante,
sua
luz
acesa,
mostrando de
que
lado
se encontram. O
joio
e o
trigo
não
mais
permanecerão na
mesma
lavoura
e a
separação
se faz
rápida
para
que
os
novos
tempos
cheguem trazendo boa
colheita.
As
mentes
desavisadas, o
emocional
desequilibrado
e a
vaidade
exacerbada faz
com
que
se lancem no
lodaçal,
aquelas
que
seriam boa
semente,
e
lá
apodreçam
sem
germinar.
Atente
meu
menino,
para
a
voz
do
seu
coração
e
não
ensurdeça
agora.
Muitos
uivos
se ouvirão e confundir-se-ão pelas
ondas
do
tempo.
É
preciso,
acima
de
tudo,
discernimento
e a
certeza
de
que
não
é
apenas
a
pele
de
cordeiro
cobrindo o
lobo,
mas
que
dentro
deste
cordeiro
existe a
marca
do
Mestre.
E essa
marca
meu
filho,
é demonstrada
pela
humildade
e
desprendimento
em
exercitar
a
caridade.
Sem
falsos
falatórios
que
enchem a
boca
mas
esvaziam o
coração.
Caridade
feita
pelo
arquear
de
suas
costas,
olhando o
chão
mas
vislumbrando nele o
reflexo
de
um
céu
estrelado
e
que
cada
estrela
seja representada
por
uma
gota
de
seu
suor
nas
horas
de
doação.
Prossiga
assim
meu
menino
e
não
perca
ao
longo
do
caminho,
essa
inocência
de
seu
olhar,
que
ainda
faz das
crianças
a
esperança
da renovação.
-Saravá
meu
camboninho!
-Saravá
minha
mãe,
vossa
bênção!
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